APAGÃO

novembro 11, 2009 § 2 Comentários

pdil129042Ontem, o Brasil viveu o seu dia de caos. Acidente ou falha nas linhas de transmissão de energia gerada em Itaipu, deixou dez estados da federação às escuras. As metrópoles do centro sul do país respiraram durante sete horas em densas trevas. Os sinais de trânsito não funcionavam; a defesa civil atendeu a centenas de chamados para socorrer pessoas presas em elevadores; unidades hospitalares de tratamento intensivo e neonatal lutaram sob o pânico da falta de geradores em centros de saúde importantes nas regiões afetadas… Foi um horror! Amanhecemos com a pergunta: O que aconteceu? Mas, ninguém sabe ao certo. O que se sabe é que para além da baixa qualidade dos serviços que o estado brasileiro oferece – apesar de saber cobrar com uma ferocidade absurda o imposto mais caro do mundo – agora, o país da próxima copa do mundo e da próxima olimpíada terá que proteger suas redes de transmissão interligadas das fatalidades meteorológicas – que com o aquecimento global deixarão de ser fatalidades para assumir características de realidade – e até da sabotagem de movimentos rurais, alimentados por uma ideologia que fez milhões de pessoas mergulharem na miséria e nações inteiras no alienamento industrial.

De fato, as trevas promovem pânico e pavor. Ouvindo as declarações daqueles que tiveram que passar a noite em estações do metrô ou portarias de edifícios privilegiados pela instalação de megageradores, pensei no quanto precisamos de luz e da busca natural por ela quando somos cercados pelo denso manto da noite escura. Porque de todos os apagões, o pior é o da alma. A falta de luz interior; a falência da nossa capacidade própria de lidar com os desafios da vida; a dúvida insolúvel sobre o próximo passo; as estranhas emoções que impõem-se sobre a inteligência… Realmente, o pior apagão é o da alma.

As igrejas locais deveriam funcionar como centrais de abastecimento para a humanidade, mas o que vemos é outro apagão, o teológico. A mensagem que traz luz e conhecimento tem perdido espaço tanto no púlpito quanto na audiência. A alma celebrativa do brasileiro anseia por transformar tudo num grande espetáculo que misture som, cores, suor e misticismo. Seguindo essa tendência cultural a pregação da Verdade tornou-se massante, um autêntico tédio. Resultado, uma geração de cristãos sem luz.

Jesus disse que seus discípulos seriam a Luz do mundo (Mt 5:14); mas, onde está esta luz? Uma enorme massa de crentes mergulhada nas trevas do misticismo, iludida pela crença em objetos sagrados, capturada pela ignorância e alimentada pelos gritos e argumentos de uma liderança perversa; só consegue produzir shows que nada podem contra a sensualidade.

Lembro-me de uma frase de Cyril J. Barber bastante apropriada: “Não existe substituto para a piedade”. Podemos criar o que quisermos e até dar à igreja uma cara cultural mais inclusiva, mas isto não gera luz. Estamos pagando caro pelos desmandos teológicos e a substituição da piedade por atividade. As consequências desse apagão só o futuro dirá. Enquanto isso, se você deseja ter saúde interior, emocional e espiritual, não se esqueça de que a Verdade é luz.

Solus Christus

Pr. Weber

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