Você odeia as rotinas?!

abril 14, 2010 § Deixe um comentário

Ouço com muita frequência as pessoas reclamarem da mesmice. De vez em quando me chega aos ouvidos de que fulano desistiu do casamento, da fé, do trabalho, do exercício cristão e/ou de muitas outras coisas na vida, por não conseguir suportar a rotina. Trata-se de gente que deseja estar em estado de êxtase permanente, gente que acredita que a vida lhe deve um dia de festa atrás do outro, e se os fatos quotidianos não produzirem chispas e faíscas, então é porque sua vida é uma porcaria.

Mas, podemos evitar as rotinas? Temos algum poder para cancelarmos os ciclos repetitivos que tornam semanas, meses e anos exatamente iguais? Qual a razão para alguém se deixar governar pelo tédio causado por suas expectativas não atingidas? Por que esta repetição igual de tarefas nos perturba tanto? Qual a razão de querermos ser surpreendidos sempre? Talvez seja porque acreditamos que deve haver alguma coisa errada com a vida que levamos.

A rotina não é um erro ou um acidente, é um fato. O Pregador em Eclesiastes 1:4-7, observou que a vida acontece dentro de ciclos repetitivos: o ciclo das gerações; o ciclo dos dias; o ciclo dos ventos; o ciclo da água; o ciclo da história. A sua conclusão é que “nada há, pois, novo debaixo do sol”. A rotina aguarda por todos. E, se você, como ele, tentar encontrar significado para a vida fora dos ciclos repetitivos, lançando-se desvairadamente nos braços do sexo, da busca pelo poder ou do acúmulo de bens e capitais, concluirá no fim que “tudo é vaidade”.

As rotinas são inevitáveis. A vida acontece para gerar a sensação de que tudo à nossa volta não vale a pena, e de plantar em nós o desejo de descobrir o sentido de existir, de estar casado, de trabalhar, de fazer amigos… A conclusão que eu chego é que existe uma mensagem por trás do enfado gerado pelas rotinas. Esta mensagem é que o sentido da vida está além; além das nossas expectativas; além do sexo, do dinheiro e do poder; além de tudo que os olhos são capazes de ver e as mãos de tocar. Cristo é o sentido da vida! Ele é a vida!

Se as rotinas são inevitáveis e nada acontece de novo debaixo do sol, Ele é aquele “que faz nova todas as coisas”. Relacionamentos, trabalho, casamento, família são apenas matéria prima nas mãos do grande inovador. Em Cristo descobrimos não o segredo para vencermos as rotinas, mas o de transforma-las em motivações e experiências edificantes. Ele é a proteção contra o tédio da mesmice.

Somos tão afetados pelas rotinas quanto somos afetados pela nossa distância da cruz. Esta sensação incurável de perda; esta postura de cobradores que acredita que o universo está em permanente débito; esta atitude reclamadora, lamentadora e de incômodo permanente, só será curada quando entendermos que a vida não é para nós, mas, para Ele (Cl 1:16b). Em outras palavras, a vida não acontece para nós. O universo não está formatado para nós.

As rotinas não nos afetarão tanto, quando descobrirmos que o grande propósito de existir é conhecer aquele para quem tudo foi criado, tudo é.

Com amor e carinho,

Pr. Weber

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