A glória do desconhecido

maio 15, 2010 § 2 Comentários

É tão fácil perdermos a perspectiva do real! Na verdade, vivemos a maior parte do tempo imersos no irreal, enxergando glória em fatos e comportamentos que no fundo só transmitem sombras e penumbras. Parece que esta geração está possuída pela mentira. A se julgar pelo que ela busca e anseia, a futilidade não é mais exceção, é uma regra infeliz.

As marcas dessa loucura estão por todos os lados: cuidado exagerado com a aparência; busca do corpo perfeito e da fama; valorização do grande o bastante para ser visto; edificação de relacionamentos movida por interesse… Numa vida configurada assim não há tempo para se olhar ao lado; não há tempo para se dedicar ao simples e à simplicidade; não há tempo para se valorizar o que na verdade tem valor. Além disso, nesse universo louco da mentira, o que tem valor não consegue ser visualizado. A preferência pelo fútil não permite enxergar além do próprio umbigo. Mas, a grandeza da fé e da vida, a glória, está no desconhecido, no facilmente desprezável, no que as câmeras não conseguem registrar.

Num sermão intitulado “Boasting only in the cross”, John Piper relatou um fato desconhecido da maioria. Em Camarões, duas missionárias chamadas Ruby Eliason e Laura Edwards – Ruby com mais de 80 anos, solteira, toda uma vida dedicada a tornar a mensagem de Cristo conhecida entre os pobres e doentes; Laura, uma médica, viúva, também com mais de 80 anos – serviam, como simples desconhecidas, e uma ao lado da outra, encontraram a morte juntas, vítimas de um acidente. O carro em que estavam perdeu os freios e foram encontrar o Rei e Mestre a quem serviram por toda vida.

Quem conhece Ruby Eliason e Laura Edwards? Eram ilustres figuras desconhecidas do Reino de Deus. Gente que não freqüentava os shoppings e que optou por viver embrenhada no obscurantismo das lentes do gigantismo religioso; gente que escolhera a glória do silêncio e da invisibilidade. Penso comigo mesmo, quantas Rubys e quantas Lauras Deus tem espalhadas pelo mundo. Gente que não sofre por não ter seu nome lembrado; que não vê tragédia na pobreza, no trabalho simples, nos poucos recursos e no servilismo.

Paulo bradou aos Gálatas afirmando que sua glória estava na cruz. Dizer isto aos Domingos, por trás da segurança do púlpito é uma coisa, mas por trás das grades de uma prisão, privado da liberdade para comunicar a mensagem, é outra. Todavia, é uma pista para enxergarmos a glória de Deus nesse contexto dominado pelas trevas. A glória de Deus só se manifesta onde o homem perde a sua; onde a cruz domina sobre os sonhos da fama; onde a realidade da vergonha é exposta.

Escrevo esta manhã pensando nos desconhecidos. Na verdade, ser ou não conhecido não faz a menor diferença. A glória sempre estará na cruz e no quanto estamos consagrados ao santo propósito de nos satisfazer com ela. A grandeza da vida ou a relevância na vida, está muito além do que o olhar humano pode captar ou perceber. Mas, sem dúvida alguma, depende do quanto estamos dispostos a nos armar da decisão de morrer para o mundo, a fim de que Cristo viva e apareça no nosso quotidiano, através do serviço fiel e abnegado que nos coloca entre os sem fama e sem sucesso. Pense: é aí que está a Glória!

Que Deus abençoe a todos os que nEle se gloriam.

Com amor e carinho,

Pr. Weber

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