Chateado? Deprimido? Meio vazio?

dezembro 12, 2009 § 2 Comentários

Eu tenho feito um enorme esforço para entender a lógica dos pensamentos e das reações humanas, mas confesso que não tenho conseguido resultados satisfatórios. Como pastor, lido com pessoas muito diferentes umas das outras: algumas pobres, outras paupérrimas, e ainda algumas remediadas; saindo do plano financeiro, também tenho que lidar com gente que frequenta os halls acadêmicos e com quem mal consegue assinar o nome. É a santa heterogeneidade da igreja, uma das suas características mais fascinantes, o único estado onde existe a possibilidade de unidade.

Nesta minha busca por entender melhor as pessoas, leio e estudo de tudo: psicologia, sociologia, artigos científicos variados, teologia… Quando penso ter evoluído um pouco para entender a razão porque tanta gente anda entediada, vazia, desmotivada, sou surpreendido por outro dado, outra experiência que me obriga a começar tudo outra vez. Mas, de uma coisa eu tenho certeza: de que a luta do pobre, do rico, do culto e do iletrado é para ser feliz. Entretanto, quando descobrem que o dinheiro não os preenche; de que a conclusão do próximo curso não os qualifica para serem seres humanos resolvidos e felizes, no primeiro momento sentem-se frustrados, porém, esta frustração evolui rapidamente para o desespero. Pois, se a felicidade não está no que o dinheiro pode comprar, no conhecimento adquirido e nem na sensação de estar melhor qualificado – pensam eles – onde mais poderia estar?

Ultimamente tenho esbarrado com uma porção de gente assim! Olhares perdidos, músculos faciais retesados, ombros caídos, fuga do convívio, sinais comuns a todos. Sofremos de uma patologia que não respeita os graus acadêmicos, a conta bancária ou o tamanho do apartamento. Alguns afirmam ser o stress o causador desse comportamento. Mas, conversando com um amigo outro dia, ele afirmou ter ouvido de uma professora universitária, muito bem conceituada e respeitadíssima dentro da sua especialidade, que stress NÃO EXISTE. O que existe, disse a doutora, são maneiras individuais de interpretar as diferentes circunstâncias da vida. Uns interpretam e reagem bem enquanto outros reagem mal. Ouvindo com muita atenção este meu amigo, concluí mais tarde: o problema está dentro de cada um de nós.

Mas, como a fé pode contribuir para que as pessoas vençam suas chateações e a falta de motivação para continuar? Alguns me procuram após os nossos cultos pra dizer: “Pastor, é tanto problema que nem sei por onde começar; o que é que eu faço?” Entre o completo silêncio e um sonoro “não sei” prefiro o “vamos orar”. Estas aventuras pastorais me tem colocado diante de algumas realidades:

1. Que devemos orar sempre por uma ação interior do Espírito Santo. A nossa motivação ou falta dela, vem de dentro. Nossos problemas residem do lado de dentro; e se não nos expusermos inteiramente jamais chegaremos perto de resolvê-los.

2. Que devemos apurar o senso da presença plena e permanente de Deus ao nosso lado. Se temos fé em Deus, devemos crer que Ele não jogou conversa fora e que a promessa de estar permanentemente conosco não é uma brincadeira.

3. Que precisamos aprender que “à destra de Deus há delícias perpetuamente” (Salmos 16). Isto não é uma piada. A noite que Paulo e Silas passaram na prisão em Filipos e todos os resultados daquela experiência são evidentes sinais de que podemos encontrar uma espécie de alegria mesmo estando rodeados de muita dor.

4. Que precisamos aprender a reagir de uma maneira mais madura para com os desafios e os acontecimentos da vida. Continuar a crer, trabalhar, crescer, evoluir, fazer o melhor, mesmo quando os resultados não são aqueles que aguardávamos, é sinal de maturidade. Perseguir esta condição faz bem, é uma decisão profilática e em alguns casos até preventiva.

5. Finalmente, que desesperadamente necessitamos mais vezes, fechar os olhos, curvar a cabeça e dobrar os joelhos, só para lembrar que o mistério da vida não se encontra em nossas mãos.

Com amor e carinho,

Pr. Weber

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