Você também dispensa a classe eclesiástica?

janeiro 20, 2010 § Deixe um comentário

“Estou no grupo dos que dispensam a classe eclesiástica na intermediação de sua relação com Deus” (Horácio Lafer Piva – empresário).

Compreendo perfeitamente a declaração do senhor Horácio Piva, publicada pela revista ULTIMATO na sua seção intitulada “FRASES” (No.318 de MAIO-JUNHO de 2009). Afinal, que outro homem pode ocupar o lugar que pertence a Jesus? Ele é o único mediador entre Deus e os homens.

Muito provavelmente, Horácio seja mais um entre a multidão incontável, que escandalizado pelos atos despudorados e eticamente duvidosos dos que se chamam “pastores”, não confia mais no que ele define como “classe eclesiástica”. Compreendo a sensação que este quadro tempestuoso causado por esta crise de integridade, que afeta todos os setores da nossa sociedade tupiniquim, causa em gente minimamente séria e disposta a viver a vida com relevância.

Atrevo-me, no entanto, a lembrar a todos que estão nesse grupo de revoltados, decepcionados e insatisfeitos, que relacionar-se com Deus implica em convívio comunitário permanente. Experiência que segue na contramão das tendências comportamentais do momento, convívio comunitário (amando o Perfeito Deus invisível através do amor ao próximo, fraco e visível) foi, é e será para sempre um mandamento de Deus. Logo, fugir do convívio comunitário, em virtude do mercantilismo nojento praticado por alguns líderes, não coopera para a construção de um relacionamento eficiente com Deus.

Precisamos aprender a separar uma coisa da outra. A Igreja, tanto no sentido comunitário como estrutural, existe desde sempre e continuará a existir apesar dos escândalos, que afinal, foram preditos por Jesus (mas, ai daqueles por quem vêm os escândalos). Seguindo esta mesma linha, Jesus fala para que o seu “pequenino rebanho” não tema, sugerindo a existência de um certo grupo de cristãos marcado pela piedade, generosidade, compaixão, devoção e fervor evangelístico.

Tal grupo, que poderíamos chamar de “remanescentes”, existe por tradição histórica. Ele existiu no Egito, entre os judeus piedosos que clamavam por libertação entre lágrimas, dor e sofrimento; existiu também na Babilônia entre os cativos de Judá, marcando território, preferindo a fornalha sete vezes mais aquecida e decidindo não se contaminar com as iguarias da mesa do rei; esteve presente no Israel de Acabe e Jezabel, conservando-se puro, sem dobrar os joelhos diante Baal, grupo numeroso de sete mil, e que nem o profeta Elias sabia da sua existência.

Não é novidade para mim as pessoas desconhecerem a existência de congregações ou de grupos variados de cristãos, que acreditam no senhorio de Cristo, em vida santa, piedosa, e que não andam segundo o curso deste mundo eclesiástico popular. Isto fugiu até do campo visual de profetas legítimos do Senhor! Porque, quando o nevoeiro é denso demais, não conseguimos ver além de nós mesmos.

Horácio e seus companheiros, deveriam ser mais criteriosos em sua busca, tomar cuidado com o comportamento de manada. E muito embora o jornalista Ruy Castro tenha razão ao dizer – “Os intestinos da maioria das instituições fedem. O povo tapa o nariz e vai às compras” – em matéria de igreja, há um fator que não pode ser desprezado: DEUS.

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Precisamos de outras Zildas

janeiro 15, 2010 § Deixe um comentário

Há certas pessoas que quando morrem parecem deixar um vazio maior do que outras, pelas sensações que produziram com seus gestos, pela maneira como conduziram suas vidas, pelas expressões registradas através das lentes de amigos e queridos mais próximos. Mas, sem a menor sombra de dúvida, o fator produtor desta orfandade incurável, o mais relevante, diz respeito ao que fizeram.

Aquilo que suas mãos produziram, parece que se vai com elas. Por isso Tiago ensina que devemos LIMPAR AS NOSSAS MÃOS (Tg 4:7) e PURIFICAR O NOSSO CORAÇÃO, para que nossas mãos não se prestem à violência, à injustiça, ao terror ou a qualquer outra obra injusta.

Ouvindo com tristeza sobre a morte de Zilda Arns e observando com cuidado seu currículo de serviços prestados à população invisível dos SEM dignidade, SEM teto, SEM comida, SEM (…), pensei comigo mesmo, pondo por um instante meu orgulho reformado de lado: Como precisamos de zildas entre nós?

Vendo o tecido cristão genuíno se deteriorar pelo consumismo e materialismo da nossa sociedade, confirmados e promovidos pelos púlpitos evangélicos do país, atrevi-me a desejar uma “pastoral da criança” para minha igreja local. Isto porque, já há muito desisti de demonizar tudo que é Católico. Deleito-me na patrística, no conceito monástico de devocão, na Cristologia refinada… Portanto, tenho o direito de desejar que Deus envie zildas para minha igreja.

Homens, mulheres, jovens e idosos, estamos em missão. Precisamos estar cheios do Espírito para testemunhar integralmente ao homem integral. Quem se habilita a seguir o exemplo cristão que Zilda ousou praticar?

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