Aos pregadores

dezembro 14, 2010 § Deixe um comentário


Você já teve a sensação de que não há mais nada a ser dito? Já teve a sensação de que Salomão tinha razão ao dizer que “não há nada novo debaixo do céu”? Outro dia entrei na livraria da travessa e depois de percorrer todas as gôndolas, fascinado com o número de títulos, fui acometido de uma convulsão mental: ocorria-me um pensamento após outro sobre a relevância do que dizemos e escrevemos. Encontrei misturados aos campeões de vendas, textos de refinado estilo literário, de relevância incontestável e cujo autor nunca havia ouvido falar. Pensei: o que faz alguém ler algum texto; comprar um livro; ouvir um desconhecido? Seria curiosidade; interesse; identificação com o assunto; sede de informação; ou simplesmente, pura emoção? De repente, me achei questionando se seria um pregador relevante; se o que achava importante ser dito o seria realmente; se havia algo de criativo e inspirado na maneira que usava para dizer o que entendia ser digno que os outros parassem para ouvir.

Toda essa reflexão sobre relevância, criatividade e inspiração, me acompanha desde muito tempo. Quando subo ao púlpito pra pregar, na maioria das vezes já venci a angústia de ter ou não uma mensagem divina; e embora esta seja a luta mor do mensageiro de Deus, não fico livre da angústia se terei condições de exprimir a mente do Espírito de forma compreensível, especialmente tendo semanalmente a incumbência de anunciar o conselho de Deus à uma congregação tão heterogênea! Quanto a sensação de não haver nada novo a ser dito, já me convenci disto. Entretanto, há muita coisa que precisa ser REPETIDA, dita outra vez e depois redita, pregada e pregada de novo, ensinada e ensinada, tantas vezes quantas forem necessárias ao aprendizado comum. Minha oração é para que possa repetir o que já foi dito pelos antigos e meus contemporâneos, com ardente amor e fidelidade absoluta ao Soberano Senhor.

Definitivamente, quero ser um repetidor do Espírito; um repetidor criativo, coerente com a Verdade e com o meu tempo, buscando alcançar os propósitos de Deus na minha geração. Muito provavelmente, a despeito do que tenho a dizer, nunca chegue a ser comparado a um “campeão de vendas”. Mas, nenhum pregador pode abrir mão de apresentar o Evangelho com unção, respeito aos ouvintes e criatividade. Pregar a Palavra é preciso; anuncia-la é uma ordem; depender do Espírito é fundamental; logo, seja um servo fiel e trabalhe arduamente para ser um relevante repetidor dos sagrados oráculos.

Com amor e carinho,

Pr. Weber

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