DESANIMADO!?

12 11 2009

paa563000067Quando fui desafiado a pregar pela primeira vez na igreja, fiquei literalmente desesperado. Meu pastor telefonou para a minha casa num domingo à tarde convocando-me para substitui-lo no culto da noite. Gelei da cabeça aos pés. Lembro-me de ter entrado no meu quarto e orado para que Deus me desse um assunto, uma ideia, alguma orientação. Foi a minha primeira experiência com o que chamo de “angústia da pregação”. Não preciso detalhar as minhas diversas reações; mas, vendo o tempo passar, lembrei-me de haver lido alguns dias antes um belo texto de Billy Graham entitulado AS MÃOS DE JESUS; não pensei duas vezes, organizei os pensamentos em quatro pontos e parti para a minha primeira aventura como pregador.

O culto, como de costume, começou às 19:00h em ponto. Não me lembro de nada a não ser do meu coração acelerado, do suor frio e das pernas bambas. Na hora do sermão ele me chamou ao púlpito e lá fui eu, inseguro e cheio de medo para a minha primeira experiência. Preguei o sermão de Billy Graham como se fosse ele e muitas vidas naquela noite vieram à fé em Cristo como Senhor e Salvador. Lá se vão trinta anos.

Como você pode imaginar, virei fã do Dr. Graham. Passei a ler tudo que ele havia escrito disponível na língua portuguesa. Um dia deparei-me com um artigo novo. Sentei e comecei a devorar suas abordagens e de como organizava os assuntos, até que li a seguinte frase: “Deus não usa um homem desanimado”. Tomei um susto pois sempre acreditei que Deus poderia usar a quem Ele quisesse. Hoje, acredito que fiquei um pouco ofendido, pois vivia períodos inteiros de grande abatimento.

Lentamente, ao longo dos anos, fui descobrindo quão verdadeira é esta afirmação. Me parece que o desânimo nos faz flertar com a incredulidade e a dúvida, nos coloca numa condição imprópria para testemunhar sobre o amor, a graça e o poder de Deus.

Por toda Bíblia encontramos diversas exortações divinas à perseverança. Todas elas indicam movimento. A imagem que se forma em minha mente é de alguém no meio de uma tempestade caminhando contra o vento, mas, por mais difícil que seja, não desiste de continuar caminhando. Pois é, desanimar é parar, é deixar-se convencer pela mentira de que não vale a pena continuar, em outras palavras, perder temporariamente a fé. Nesse estado, Deus não usa ninguém. Deus usa os sem dinheiro, os sem teto, os sem amigos, os sem cultura, os sem terra, os sem qualquer coisa; mas, Deus não usa os sem fé.

Desanimar é admitir que a guerra acabou e você perdeu; é enterrar viva a esperança; é enfim dizer: “eu desisto”.

Como pastor, tenho vivido momentos em que as sombras do desânimo têm tentado cobrir meu coração. A falência moral da sociedade; os gigantescos e insolúveis problemas sociais; o individualismo exacerbado; a falta de compaixão pelo pobre; o desinteresse pela Verdade; o apego ao misticismo religioso… me parecem fronteiras intransponíveis. Muitas vezes tenho pensado que não vale a pena continuar. Nesses momentos o Espírito Santo me traz à lembrança a frase de Billy Graham – “Deus não usa um homem desanimado” – e logo reajo e planejo o próximo passo.

Quem sabe, você esteja se sentindo assim hoje? Preste atenção! Perseverar é preciso. A vontade de Deus é consumada na perseverança. Quem não persevera não vê a Glória de Deus. Se você quer vê-la, persevere, recobre forças, tenha bom ânimo e siga em frente.

Como amor e carinho

Pr. Weber





APAGÃO

11 11 2009

pdil129042Ontem, o Brasil viveu o seu dia de caos. Acidente ou falha nas linhas de transmissão de energia gerada em Itaipu, deixou dez estados da federação às escuras. As metrópoles do centro sul do país respiraram durante sete horas em densas trevas. Os sinais de trânsito não funcionavam; a defesa civil atendeu a centenas de chamados para socorrer pessoas presas em elevadores; unidades hospitalares de tratamento intensivo e neonatal lutaram sob o pânico da falta de geradores em centros de saúde importantes nas regiões afetadas… Foi um horror! Amanhecemos com a pergunta: O que aconteceu? Mas, ninguém sabe ao certo. O que se sabe é que para além da baixa qualidade dos serviços que o estado brasileiro oferece – apesar de saber cobrar com uma ferocidade absurda o imposto mais caro do mundo – agora, o país da próxima copa do mundo e da próxima olimpíada terá que proteger suas redes de transmissão interligadas das fatalidades meteorológicas – que com o aquecimento global deixarão de ser fatalidades para assumir características de realidade – e até da sabotagem de movimentos rurais, alimentados por uma ideologia que fez milhões de pessoas mergulharem na miséria e nações inteiras no alienamento industrial.

De fato, as trevas promovem pânico e pavor. Ouvindo as declarações daqueles que tiveram que passar a noite em estações do metrô ou portarias de edifícios privilegiados pela instalação de megageradores, pensei no quanto precisamos de luz e da busca natural por ela quando somos cercados pelo denso manto da noite escura. Porque de todos os apagões, o pior é o da alma. A falta de luz interior; a falência da nossa capacidade própria de lidar com os desafios da vida; a dúvida insolúvel sobre o próximo passo; as estranhas emoções que impõem-se sobre a inteligência… Realmente, o pior apagão é o da alma.

As igrejas locais deveriam funcionar como centrais de abastecimento para a humanidade, mas o que vemos é outro apagão, o teológico. A mensagem que traz luz e conhecimento tem perdido espaço tanto no púlpito quanto na audiência. A alma celebrativa do brasileiro anseia por transformar tudo num grande espetáculo que misture som, cores, suor e misticismo. Seguindo essa tendência cultural a pregação da Verdade tornou-se massante, um autêntico tédio. Resultado, uma geração de cristãos sem luz.

Jesus disse que seus discípulos seriam a Luz do mundo (Mt 5:14); mas, onde está esta luz? Uma enorme massa de crentes mergulhada nas trevas do misticismo, iludida pela crença em objetos sagrados, capturada pela ignorância e alimentada pelos gritos e argumentos de uma liderança perversa; só consegue produzir shows que nada podem contra a sensualidade.

Lembro-me de uma frase de Cyril J. Barber bastante apropriada: “Não existe substituto para a piedade”. Podemos criar o que quisermos e até dar à igreja uma cara cultural mais inclusiva, mas isto não gera luz. Estamos pagando caro pelos desmandos teológicos e a substituição da piedade por atividade. As consequências desse apagão só o futuro dirá. Enquanto isso, se você deseja ter saúde interior, emocional e espiritual, não se esqueça de que a Verdade é luz.

Solus Christus

Pr. Weber





DESCONFORTÁVEIS COM A GRAÇA

10 11 2009

lutherNo dia 31 de Outubro passado comemorou-se o dia da reforma, dia que Martinho Lutero pregou as suas 95 teses na porta da capela de Wittemberg, opondo-se aos desmandos da igreja romana, especialmente à prática da comercialização de indulgências. Tal prática, tratava-se de um ato de aberta exploração religiosa, antibíblico, anticristão, e de total insensibilidade. Foi um grito de liberdade! Foi um chamado de volta às Escrituras; a reafirmação de que a justificação vem pela fé e não pela participação de um comércio religioso, que só pode ser classificado historicamente como exploração indecente.

Motivado por esta recente comemoração e lembrando das cinco laudas da reforma, eu e minha esposa seguíamos viagem conversando sobre a disposição humana para submeter-se a normas, leis e regulamentos religiosos. Falamos sobre as técnicas de ameaça das seitas e os seus estilos autoritários de liderança; de como as pessoas preferem continuar investindo tempo e fé em objetos; da pronta disposição em submeterem-se a preceitos humanos; do respeito dado aos líderes que gritam, escoiceiam e impõem sua vontade no mais refinado estilo bárbaro. Foi um bom bate-papo! Mas, cheguei ao destino um pouco deprimido ao constatar o total desconforto da maioria com a graça. Pensei: será que ainda há lugar para um pastor que acredita não somente que a salvação é pela graça, mas que somos salvos para viver e nos relacionarmos movidos por ela?

Acho que foi isto que me deprimiu: constatar a força da lei. Não da lei de Deus, pois esta é perfeita e restaura a alma (Salmos 19); mas, da lei humana: das imposições, enganos e ludíbrios, geralmente embalados em profecias, revelações e aberta manipulação das Escrituras. De repente, me bateu uma sensação de que pastorear com generosidade, respeito e carinho, usando sempre as palavrinhas mágicas (por favor, com licença e desculpe-me); liderar pelo exemplo em vez de criar normas para tudo; sorrir ao invés de manter uma cara amarrada; falar manso no lugar de esbravejar; não é um estilo admirado por ninguém. Me parece que a natureza humana decaída gera uma preferência popular pelo desonesto que fala bem, fala alto e sempre em tom ameaçador.

A graça é mesmo desafiadora. Crer que não há nada que o homem possa fazer para ser salvo; esperar uma resposta da congregação motivada por amor e compreensão da verdade; ter o estilo de vida saturado de misericórdia e perdão; querer que todos se conheçam e deixem seus casulos individuais para viver intensamente a vida comunitária; e outros tantos atos inspirados pela graça, causam desconforto e dá origem ao maior paradoxo religioso dos nossos dias: somos chamados pela graça, mas não conseguimos apreciar nem viver pela graça. Mas, depois de alguns momentos, venci o passageiro estado de desapontamento e reagi.

Eu não vou desistir de denunciar esta tendência pelo exemplo e pelo estilo de vida. Vou esperar o tempo que for necessário para que a congregação ouça a voz do supremo pastor e saia para falar do seu amor. Vou aguardar pelo dia que a sanidade emocional e espiritual das pessoas seja restaurada e o estilo de Cristo seja preferível ao estilo Hitleriano, Mao Tsé Tungiano, Lenineniano, Castroneniano e Idi Amimiano e por aí poderia prosseguir numa lista interminável de estilos que tiveram algum resultado, mas, um trágico fim.

Se você anda desconfortável com a graça, talvez seja porque ainda não foi alcançado por ela. Pense! Pense! Pense!

Solus Christus

Pr. Weber





REAÇÃO

5 11 2009

ispi071064 Ultimamente, tenho pensado muito sobre os transtornos causados por personalidades deformadas. É difícil admitir o quanto fomos afetados pelo pecado, especialmente sobre a sua direta influência na nossa maneira de ser, ver, comportar-se e interagir com o mundo a volta. Devo dizer que ao longo desse processo reflexivo, não tenho descoberto nada que pudesse ser classificada como uma novidade, talvez seja porque o homem não é um projeto recente. Mas, não posso negar sobre o quanto tenho ficado impressionado com a tendência insistente de quase todos quererem negar quem são, e do fraco poder de reação da maioria na busca por uma vida transformada.

Observo que todos preferem acreditar na mentira de que Deus os fez do jeito que são, quando na verdade, cada um de nós foi forjado no calor dos fornos da pecaminosidade. Somos o resultado da nossa aberta rejeição à Deus e aos Seus ensinamentos. Essa nossa incurável atitude de isolar-se; de não se relacionar; de resistir aos desdobramentos da vida comunitária; ou por outro lado, o desespero causado por um ambiente silencioso e a solidão de uma noite fria e chuvosa, definitivamente, não faziam parte dos itens do check list de Deus. Mas, como levar as pessoas que amamos a entenderem que o Senhor deseja transformar suas personalidades? Como fazê-las reagir para que tenham uma vida melhor? Como levá-las a aceitar que existe uma maneira saudável e equilibrada de viver, além dos seus padrões pessoais de conduta?

Essas perguntas não me deixam sossegar o coração. Como pastor, também questiono e procuro diligentemente por respostas. Sou como todos. Também sento no meio fio com a cabeça entre as mãos em busca de sentido; também lamento sobre a minha impotência e sofro pelos que amo, e não tenho vergonha disso. Assumir minha falta de vocação para a onipotência me torna “um” com a minha congregação. Além disso, acredito que o melhor lugar para se receber direção sobre temas e assuntos que não sabemos como tratar é o da sincera confissão da fraqueza e limitação. Deus não caminha ao lado de quem acha que pode, que tem todas respostas, e sofre de messianidade. Na verdade, Ele se põe ao lado dos humildes, duvidosos, fracos e com aqueles que seguem pela vida com uma lista de “não sei” no bolso.

O que tenho aprendido ao tratar com as pessoas no meu dia-a-dia é que lhes falta um poder de reação. A passividade geral quanto ao enfrentamento consciente das deformações do coração é sem dúvida a principal razão da perpetuação desses nós cegos localizados entre a alma e o espírito. Mas, sabe o que é isso? Isso é a falta de coragem de chamar o pecado pelo nome, de assumir a imagem de fraqueza quando todos a volta precisam ver força em alguém. Não há nada mais anticristão do que esta patética representação teatral do personagem religioso perfeito. Reaja e lute destemidamente contra os seus transtornos de comportamento. Fingir não ajuda.

1. Reaja reafirmando à Deus e aos homens que é pecador e não está confortável com a maneira que você tende a responder aos estímulos da vida.
2. Ore com humilde coração admitindo precisar de ajuda.
3. Confesse o seu pecado e aceite que o espírito Santo pode influenciar sua personalidade.
4. Busque seriamente ao Senhor por crescimento e progresso na fé, a fim de que você possa ter a certeza de que prossegue para alcançar a estatura de varão perfeito em Cristo Jesus.
5. Jamais se esconda por trás das árvores com desculpas e justificativas bem elaboradas como fez Adão.
6. Tenha coragem de dizer: Eis-me aqui Senhor, pequei!
7. Não duvide de que Deus é detentor de todo poder e autoridade, logo, que pode reconstruir sua vida emocional e espiritual.
8. Jamais tente posar de santarrão. O farisaísmo hipócrita e doentio é o próximo estágio.
9. Aprenda a admitir que você está em aperfeiçoamento; mas, tenha a certeza de que isso esteja a acontecer com você.
10. Ame a Deus!

Com amor e carinho,

Pr. Weber





ESQUECEMOS DE ORAR

30 10 2009

dp1832366 A oração é um dos temas que tem sofrido bastante com o vergonhoso estupro teológico causado por movimentos neopentecostais. Na verdade, eu nem sei se essa classificação é cabível, pois a multiplicidade de formas litúrgicas até a volatilização doutrinária desses movimentos é tão vasta, que acabamos por rotular de neopentecostal aquilo que já é um corrompimento do já corrompido neopentecostalismo.

Conseguiram transformar a oração numa “ferramenta de conquista”. É lamentável ter que admitir que a devocionalidade perdeu a batalha contra a cobiça dos olhos. Hoje, ao se falar publicamente sobre a importância da oração, precisamos ser mais objetivos. Isto porque, a primeira imaginação criada é a de um novo método de obtenção de favores e de manipulação do divino. A que ponto chegamos!

Definitivamente, estamos esquecendo de orar. Estamos esquecendo que oração é um encontro com o Eterno, encontro que Jesus sugere que deva acontecer a portas fechadas, em secreto, num ambiente protegido e privado. Essa simples ideia traz a oração para o campo da devoção, da busca do conhecimento de Deus, da conformação do nosso coração ao coração do Senhor.

Jesus chamou esse ato devocional de BUSCAR O REINO – “Buscai pois em primeiro lugar o reino…”. Buscar o reino é essa união da mente divina com a mente humana; a fusão do coração de Deus ao do homem, até que ele esteja pronto e feliz em dizer: “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Mas, lentamente, como um veneno mortífero de ação prolongada, uma heresia após outra foi sendo injetada nas veias da igreja até nos fazer ESQUECER sobre como e porquê orar.

Eu sugiro que reaprendamos, que peçamos a Deus que nos ensine novamente essa lição. Não é tão difícil quanto parece, mas exigirá de cada um de nós uma dose de renúncia e confissão. Poderíamos começar por gastar um tempo diário em reclusão e silêncio em nosso quarto – se o tempo é curto, desligue a TV, sacrifique a novela, o filme, o futebol -; depois, poderíamos trabalhar o desejo por intimidade, por conhecer a Deus e sua vontade; e finalmente, perder-nos no tempo e na incontida alegria de ouvir e discernir a Sua voz.

Quem se habilita a nadar contra a correnteza e viver a verdade em detrimento da cultura religiosa? Se você é um deles, me deixe saber!

Solus Christus!

Pr. Weber





Moral, moralismo e farisaísmo

30 10 2009

isp0802654 Seria uma total insensibilidade ignorar que os seres humanos lutam com sua pecaminosidade desde sempre, e que Deus na sua excelente misericórdia os cobre com sua graça salvadora. Mas, não seria uma insensibilidade menor, deixar de admitir que este mesmo Deus os chama ao arrependimento e graciosamente sinaliza e adverte sobre os escorregadios atalhos legitimados por esta ou qualquer outra cultura. Ao fazer isto, Sua intenção não foi (e não é) desistir de atuar com graça, ignorando a fraqueza ou as lutas humanas, mas a de demonstrar sua vontade e pronunciar-se sobre o poder mortal do pecado. Ao fazer isto, intencionalmente ou não, Ele chamou à luz ao que chamamos de MORAL.

Alguns, de coração e mente doentias, agarrou na MORAL DIVINA e a transformou num instrumento de tortura e opressão, esquecendo-se das suas próprias limitações humanas, exigindo dos outros o que não tem poder para viver. A esta expressão dura, inflexível e vazia de amor, chamamos de MORALISMO.

Logo, existe uma clara diferença entre MORAL e MORALISMO. Moral é a denúncia de que o pecado é uma ilusão vazia e tem um jeito sutil de enredar o homem, o foco está no pecado e não no pecador. MORALISMO é aparentemente a mesma atitude, mas o foco é inverso. O moralista oprime, envergonha, culpa o pecador esquecendo-se de expor o pecado.

O moralista corre o risco de sofrer de FARISAÍSMO, uma espécie de enfermidade espiritual cuja principal tendência é o esquecimento da graça. Sofrendo dessa amnésia teológica, o fariseu tende a dar mais atenção a forma do que ao conteúdo, agindo assim ele chega muito próximo ao abismo da hipocrisia, que seguindo uma escala natural é o seu próximo estágio. Assim, o moralista fariseu vive a sua fé de forma mentirosa, escondendo de todos quem realmente é.

Lembro-me de uma frase de William Georde Jordan, mencionada por Stephen R. Covey: “Nas mãos de cada indivíduo encontra-se um poder maravilhoso, para o bem ou para o mal – a influência silenciosa, inconsciente e velada de sua vida. Trata-se simplesmente da radiação constante do que a pessoa realmente é, e não do que ela finge ser”. Se você vive o que realmente é, não se glorie nisso, é a graça de Deus; se finge ser alguém que não é, não irá muito longe com esta farsa. Assim, entre MORAL, MORALISMO e FARISAÍSMO, o mal está nas últimas duas e na primeira Deus se encontra sozinho. Onde estamos nós!? Nós estamos ocultos, escondidos, sob a potente mão do Altíssimo!

Sola Gratia!

Com profundo respeito,

Pr. Weber





Em busca de direção

29 10 2009

rds105179 Que carreira escolher… Com quem se casar… Onde buscar trabalho… O que fazer diante de tantas alternativas… Estes dilemas são muito mais comuns do que qualquer um pode imaginar. Na verdade, as diferentes opções com as quais temos de interagir ao longo da vida nos obrigam – ainda que minimamente – a exercitar a reflexão e fazer escolhas, algumas certas, outras erradas, mas que nos pareciam certas. Assim, vamos construindo a nossa história.

Todos nós somos o resultado de decisões acertadas e equivocadas. Ninguém acerta todo tempo. Por mais coerente e sensato que seja, de vez em quando se encontra a contabilizar prejuízos, alguns recuperáveis e outros não. Assim, vamos aprendendo a decidir e escolher. Mas, será que existe um jeito mais eficiente de construir a vida do que através deste método de tentativas? Acredito que sim.

A vida moderna e como ela está configurada não privilegia a sabedoria. Agendas apertadas, tempo desperdiçado com o entretenimento televisivo e sites de relacionamento (que não geram relacionamento algum), habilidade mental treinada por uma cultura erotizada e a falta de coragem de admitir que existe vida fora desses territórios, não conspiram a favor de decisões coerentes e escolhas bem pensadas. Na verdade, o que tem poder de alienar tem poder de cegar.

Muitas vezes, em busca de direção para minha vida, tive que buscar o silêncio e a reclusão, fechar a agenda, desmarcar compromissos, reconfigurar hábitos… E isto exige um grande esforço! Acredito que as melhores decisões que tomamos na vida nascem nesse ambiente onde a paz prevalece, a interferência das vozes populares é mínima e a mente é estimulada a concentrar-se nos estatutos eternos. Mas, quem se propõe a fechar a porta do quarto para audiências secretas com o Eterno?

Estou convencido de que se trata de uma temeridade confiar nossos dias ao acaso. Mas, também estou convencido de que a voz da cultura popular (“deixa a vida me levar”) prevalece, convencendo as pessoas a desistirem de pensar a vida e de submeterem-na a Deus. Todavia, há sempre um coração faminto em busca de orientação, corajoso o suficiente para não se deixar conduzir pela correnteza; há sempre uma alma sedenta e disposta a ouvir; há sempre alguém disposto a buscar seriamente a Deus e a acreditar que Ele continua dirigindo vidas.

Se você está em busca de direção, não sabe para onde ir, o que fazer, acredite: Deus conhece suas limitações e quer ajudá-lo.

Solus Christus!

Pr. Weber





PORNOGRAFIA – Uma invasão maligna

28 10 2009

dp1821201A pornografia é bem mais antiga do que podemos supor. Existem registros históricos que reportam a era paleolítica. Arqueólogos descobriram em escavações da antiga cidade de Pompéia na Itália, gravuras que não somente endossam a existência de uma organizada rede de prostituição, quanto a existência de bordéis bem sinalizados. Historiadores afirmam que antes dos jogos de morte que aconteciam nas arenas romanas, os gladiadores passavam a noite em orgias sexuais com prostitutas profissionais.

Como podem ver após esta breve e curta exposição história, estamos lidando com um problema que acompanha a humanidade desde sempre. Hoje, com o desenvolvimento das redes de comunicação o assunto ganhou proporções gigantescas, transformando-se numa pandemia mortal. Gente de todas as idades e de todos os meios sócio-culturais estão sendo contaminados por esta invasão da maldade. A oferta de sexo está por todos os lados, e as redes de televisão não colaboram para conter esta exacerbação erótica que não tem poupado nem mesmo as crianças.

Entre as grandes vítimas estão os homens. Casados ou solteiros, declarados ou escondidos, eles são o alvo do ataque maligno. Presos aos seus computadores ou à sua TV até alta madrugada, perdem-se em visitas a sites pornográficos e conversas em salas de bate-papo em busca de uma aventura. O problema, com certeza é bem pior do que parece e a invasão mais violenta do que se supõe.

Denunciar esta tendência pecaminosa pode não adiantar muito – pois quem tem este hábito arraigado está mais enredado nas malhas do inferno do que imagina -entretanto, alertar pode ser um claro e importante sinal para quem ainda está flertando com a pornografia.

Alguns cuidados precisam ser tomados, independentemente da fé de cada um. Mas, falando diretamente aos cristãos convictos e que prezam a sua relação com Deus, é bom que não se considerem fortes o suficiente para acharem que estão livres e protegidos desta investida satânica, devendo atentar para os conselhos a seguir.

Evite ficar exposto à Internet por longas horas e participar de chats, a impessoalidade pode lhe dar a aparente sensação de que tudo que você escreve está acontecendo num ambiente de privacidade no qual pode ser você mesmo, mas isto não é verdade. Definitivamente, não fique ligado na TV até tarde; respeite o ciclo da vida, trabalhe enquanto é dia e descanse à noite. Se você participa de algum site de relacionamento (ORKUT, FACEBOOK) tome cuidado dobrado e não aceite incluir alguém sem antes avaliar o seu perfil – de preferência, não participe dessas comunidades virtuais, pois têm sido usadas como ambiente predileto de gente que trabalha com prostituição e pedofilia. Não abra e-mails de quem você não conhece. Conscientize-se de que pela porta da pornografia os demônios estão invadindo lares e corações.

Gaste mais tempo orando, meditando nas Escrituras e lendo um bom livro. Não subestime o poder maligno dessa grande serpente. Para vencê-la, a Bíblia nos ensina uma tática: RESISTÊNCIA. Resista! Solteiros ou casados, resistam! Casados, busquem investir no relacionamento conjugal e viverem a virtude da unidade matrimonial através da unidade com Cristo e de uma vida sexual sem vícios ou intromissões dessa cultura maldita e decaída.

Com amor,

Pr. Weber





Zumbismo

22 10 2009

the-zombie-survival-guideDe todas as severas advertências feitas às sete igrejas da Ásia, a que não me deixa parar de pensar; a que não me deixa descansar o coração; a que não me deixa esquecer a realidade do juízo, é a que foi pronunciada sobre Sardes: “Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto”. Sempre que a leio, ponho-me a pensar sobre a incrível habilidade humana de acobertar realidades e de como somos vulneráveis ao zumbismo (uma espécie de espiritualidade que prioriza o desempenho em detrimento da confissão, também conhecida como culto à aparência), tudo para vender a imagem da vida sob o compromisso de esconder a morte.

Esta tendência cultivada por Sardes parece ter feito escola. Não é fácil encontrarmos gente que esteja disposta a encarar o realismo de sua vida. Convivemos com um fingimento frio. Assistimos em nossas comunidades ao espetáculo trágico-cômico interminável, da defesa de uma imagem de força e poder, expressa nas afirmações de aparente fé, e nos rostos besuntados dos cosméticos produzidos pelas indústrias da hipocrisia, cuja a principal promessa é: ninguém notará quem você é de verdade.

Por trás dos rostos sorridentes; dos trajes alinhados; da imagem da perfeição; da aparente espiritualidade viva, o cheiro da morte é real. Ninguém consegue ser feliz defendendo uma imagem mentirosa. Ninguém consegue prosseguir em paz vivendo sob o peso de que a qualquer momento seu segredo será revelado. Isto não é só uma tortura, é loucura, insensatez, pecado. Vender uma imagem de vida estando morto, é pecado. A velha e tradicional brincadeira de esconde-esconde por entre as árvores do Éden. Quem pode esconder-se de Deus?

Se observar, todas as advertências pronunciadas pelo Senhor às igrejas, vieram acompanhadas da palavra CONHEÇO. É como se o Espírito estivesse a dizer: Não adianta argumentar, fugir, esconder, fingir, eu CONHEÇO. Como ganharíamos em credibilidade e na compreensão mais profunda da graça, se resolvêssemos deixar de representar força para permitirmos que todos nos vissem como realmente somos: fracos.

Mas, a questão de Sardes era mais séria! A imagem que vendiam era a da vida – diziam: “Somos cristãos vitoriosos e poderosos, vivendo sob a gloriosa unção de Deus, em perfeita santidade” – quando na verdade estavam mortos, separados de Cristo (o autor da vida). Sardes é o exemplo da pura expressão da graça de Deus, uma tentativa do Eterno em tentar nos convencer de que Ele não está nem aí para o que aparentamos ser, nem aí para os nossos cosméticos ou tentativas de impressioná-lo. Sardes é um grito divino na história por realismo, confissão, livre demonstração de fraqueza; é Deus dizendo pra nós: a fé cristã não é um show e a igreja não é um palco.

“Consolida o resto que estava para morrer”, disse o Espírito. Haveria por acaso alguém entre os meus leitores que não tem um saldo pecaminoso na vida?

“Não tenho achado íntegras as tuas obras”. Metidos neste mundo que jaz no maligno; formados nessa cultura deformada pela transgressão; atuando nessa sociedade injusta que nos força saltar sobre menores abandonados num cenário de guerra e violência, eu pergunto: todas as suas obras são íntegras?

“Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te”.

Que o Senhor nos ajude a vencer o zumbismo!





TROCANDO VÁCUO

16 10 2009

faa029000275Eu ainda sou um inexperiente no uso dessas ferramentas tecnológicas do mundo virtual. Site, blog, twitter… são terminologias que não aparecem com frequência nas minhas conversas do dia-a-dia. Ainda não aprendi a fazer todos estes recursos servirem aos propósitos de expansão do Reino de Deus, pelo menos dentro dos limites fronteiriços de minha operação. Mas, estou tentando tornar o blog mais atraente, o site mais fácil de ser explorado e encontrar no twitter uma maneira de comunicar para um maior número de pessoas a mensagem do Evangelho.

Minha verdadeira paixão é comunicar a mensagem de Cristo e compartilhar com as pessoas o que Ele tem depositado na minha vida ao longo desses vinte e dois anos de operação pastoral. Na minha santa ingenuidade cristã, cheguei a pensar que os cristãos que acessam a web, acessam em busca de alimento para a alma, mas quebrei a cara. A maioria prefere navegar em sites de relacionamento e “trocar vácuo”. Essa é uma expressão nova pra você? Deve ser, pois acabei de criá-la. “Trocar vácuo” é o mesmo que “trocar abobrinha”, jogar conversa fora, interessar-se por futilidades e gastar o tempo investindo em coisa alguma. Descobri que anda por aí uma espécie de indolência mental evangélica. Gente crente, membro de igreja, que prefere continuar a prosseguir na vida sem pensar, sem refletir, trocando vácuo, enchendo o vazio de outros com o seu próprio vazio.

Minha gente, Cristo nos de uma missão insubstituível e intransferível: Pregar o Evangelho! Prepare-se para desincumbir bem a missão de comunicar Jesus a esta geração. Estude mais a Bíblia! Participe mais dos cultos de oração da sua igreja. Invista na construção de uma espiritualidade sadia, que privilegie o pensar e a busca de um Cristianismo mais profundo e substancial. Nessa mesma direção, ame a Deus com mais paixão e pare de trocar vácuo.