REAÇÃO

5 11 2009

ispi071064 Ultimamente, tenho pensado muito sobre os transtornos causados por personalidades deformadas. É difícil admitir o quanto fomos afetados pelo pecado, especialmente sobre a sua direta influência na nossa maneira de ser, ver, comportar-se e interagir com o mundo a volta. Devo dizer que ao longo desse processo reflexivo, não tenho descoberto nada que pudesse ser classificada como uma novidade, talvez seja porque o homem não é um projeto recente. Mas, não posso negar sobre o quanto tenho ficado impressionado com a tendência insistente de quase todos quererem negar quem são, e do fraco poder de reação da maioria na busca por uma vida transformada.

Observo que todos preferem acreditar na mentira de que Deus os fez do jeito que são, quando na verdade, cada um de nós foi forjado no calor dos fornos da pecaminosidade. Somos o resultado da nossa aberta rejeição à Deus e aos Seus ensinamentos. Essa nossa incurável atitude de isolar-se; de não se relacionar; de resistir aos desdobramentos da vida comunitária; ou por outro lado, o desespero causado por um ambiente silencioso e a solidão de uma noite fria e chuvosa, definitivamente, não faziam parte dos itens do check list de Deus. Mas, como levar as pessoas que amamos a entenderem que o Senhor deseja transformar suas personalidades? Como fazê-las reagir para que tenham uma vida melhor? Como levá-las a aceitar que existe uma maneira saudável e equilibrada de viver, além dos seus padrões pessoais de conduta?

Essas perguntas não me deixam sossegar o coração. Como pastor, também questiono e procuro diligentemente por respostas. Sou como todos. Também sento no meio fio com a cabeça entre as mãos em busca de sentido; também lamento sobre a minha impotência e sofro pelos que amo, e não tenho vergonha disso. Assumir minha falta de vocação para a onipotência me torna “um” com a minha congregação. Além disso, acredito que o melhor lugar para se receber direção sobre temas e assuntos que não sabemos como tratar é o da sincera confissão da fraqueza e limitação. Deus não caminha ao lado de quem acha que pode, que tem todas respostas, e sofre de messianidade. Na verdade, Ele se põe ao lado dos humildes, duvidosos, fracos e com aqueles que seguem pela vida com uma lista de “não sei” no bolso.

O que tenho aprendido ao tratar com as pessoas no meu dia-a-dia é que lhes falta um poder de reação. A passividade geral quanto ao enfrentamento consciente das deformações do coração é sem dúvida a principal razão da perpetuação desses nós cegos localizados entre a alma e o espírito. Mas, sabe o que é isso? Isso é a falta de coragem de chamar o pecado pelo nome, de assumir a imagem de fraqueza quando todos a volta precisam ver força em alguém. Não há nada mais anticristão do que esta patética representação teatral do personagem religioso perfeito. Reaja e lute destemidamente contra os seus transtornos de comportamento. Fingir não ajuda.

1. Reaja reafirmando à Deus e aos homens que é pecador e não está confortável com a maneira que você tende a responder aos estímulos da vida.
2. Ore com humilde coração admitindo precisar de ajuda.
3. Confesse o seu pecado e aceite que o espírito Santo pode influenciar sua personalidade.
4. Busque seriamente ao Senhor por crescimento e progresso na fé, a fim de que você possa ter a certeza de que prossegue para alcançar a estatura de varão perfeito em Cristo Jesus.
5. Jamais se esconda por trás das árvores com desculpas e justificativas bem elaboradas como fez Adão.
6. Tenha coragem de dizer: Eis-me aqui Senhor, pequei!
7. Não duvide de que Deus é detentor de todo poder e autoridade, logo, que pode reconstruir sua vida emocional e espiritual.
8. Jamais tente posar de santarrão. O farisaísmo hipócrita e doentio é o próximo estágio.
9. Aprenda a admitir que você está em aperfeiçoamento; mas, tenha a certeza de que isso esteja a acontecer com você.
10. Ame a Deus!

Com amor e carinho,

Pr. Weber





ESQUECEMOS DE ORAR

30 10 2009

dp1832366 A oração é um dos temas que tem sofrido bastante com o vergonhoso estupro teológico causado por movimentos neopentecostais. Na verdade, eu nem sei se essa classificação é cabível, pois a multiplicidade de formas litúrgicas até a volatilização doutrinária desses movimentos é tão vasta, que acabamos por rotular de neopentecostal aquilo que já é um corrompimento do já corrompido neopentecostalismo.

Conseguiram transformar a oração numa “ferramenta de conquista”. É lamentável ter que admitir que a devocionalidade perdeu a batalha contra a cobiça dos olhos. Hoje, ao se falar publicamente sobre a importância da oração, precisamos ser mais objetivos. Isto porque, a primeira imaginação criada é a de um novo método de obtenção de favores e de manipulação do divino. A que ponto chegamos!

Definitivamente, estamos esquecendo de orar. Estamos esquecendo que oração é um encontro com o Eterno, encontro que Jesus sugere que deva acontecer a portas fechadas, em secreto, num ambiente protegido e privado. Essa simples ideia traz a oração para o campo da devoção, da busca do conhecimento de Deus, da conformação do nosso coração ao coração do Senhor.

Jesus chamou esse ato devocional de BUSCAR O REINO – “Buscai pois em primeiro lugar o reino…”. Buscar o reino é essa união da mente divina com a mente humana; a fusão do coração de Deus ao do homem, até que ele esteja pronto e feliz em dizer: “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Mas, lentamente, como um veneno mortífero de ação prolongada, uma heresia após outra foi sendo injetada nas veias da igreja até nos fazer ESQUECER sobre como e porquê orar.

Eu sugiro que reaprendamos, que peçamos a Deus que nos ensine novamente essa lição. Não é tão difícil quanto parece, mas exigirá de cada um de nós uma dose de renúncia e confissão. Poderíamos começar por gastar um tempo diário em reclusão e silêncio em nosso quarto – se o tempo é curto, desligue a TV, sacrifique a novela, o filme, o futebol -; depois, poderíamos trabalhar o desejo por intimidade, por conhecer a Deus e sua vontade; e finalmente, perder-nos no tempo e na incontida alegria de ouvir e discernir a Sua voz.

Quem se habilita a nadar contra a correnteza e viver a verdade em detrimento da cultura religiosa? Se você é um deles, me deixe saber!

Solus Christus!

Pr. Weber





Moral, moralismo e farisaísmo

30 10 2009

isp0802654 Seria uma total insensibilidade ignorar que os seres humanos lutam com sua pecaminosidade desde sempre, e que Deus na sua excelente misericórdia os cobre com sua graça salvadora. Mas, não seria uma insensibilidade menor, deixar de admitir que este mesmo Deus os chama ao arrependimento e graciosamente sinaliza e adverte sobre os escorregadios atalhos legitimados por esta ou qualquer outra cultura. Ao fazer isto, Sua intenção não foi (e não é) desistir de atuar com graça, ignorando a fraqueza ou as lutas humanas, mas a de demonstrar sua vontade e pronunciar-se sobre o poder mortal do pecado. Ao fazer isto, intencionalmente ou não, Ele chamou à luz ao que chamamos de MORAL.

Alguns, de coração e mente doentias, agarrou na MORAL DIVINA e a transformou num instrumento de tortura e opressão, esquecendo-se das suas próprias limitações humanas, exigindo dos outros o que não tem poder para viver. A esta expressão dura, inflexível e vazia de amor, chamamos de MORALISMO.

Logo, existe uma clara diferença entre MORAL e MORALISMO. Moral é a denúncia de que o pecado é uma ilusão vazia e tem um jeito sutil de enredar o homem, o foco está no pecado e não no pecador. MORALISMO é aparentemente a mesma atitude, mas o foco é inverso. O moralista oprime, envergonha, culpa o pecador esquecendo-se de expor o pecado.

O moralista corre o risco de sofrer de FARISAÍSMO, uma espécie de enfermidade espiritual cuja principal tendência é o esquecimento da graça. Sofrendo dessa amnésia teológica, o fariseu tende a dar mais atenção a forma do que ao conteúdo, agindo assim ele chega muito próximo ao abismo da hipocrisia, que seguindo uma escala natural é o seu próximo estágio. Assim, o moralista fariseu vive a sua fé de forma mentirosa, escondendo de todos quem realmente é.

Lembro-me de uma frase de William Georde Jordan, mencionada por Stephen R. Covey: “Nas mãos de cada indivíduo encontra-se um poder maravilhoso, para o bem ou para o mal – a influência silenciosa, inconsciente e velada de sua vida. Trata-se simplesmente da radiação constante do que a pessoa realmente é, e não do que ela finge ser”. Se você vive o que realmente é, não se glorie nisso, é a graça de Deus; se finge ser alguém que não é, não irá muito longe com esta farsa. Assim, entre MORAL, MORALISMO e FARISAÍSMO, o mal está nas últimas duas e na primeira Deus se encontra sozinho. Onde estamos nós!? Nós estamos ocultos, escondidos, sob a potente mão do Altíssimo!

Sola Gratia!

Com profundo respeito,

Pr. Weber





Em busca de direção

29 10 2009

rds105179 Que carreira escolher… Com quem se casar… Onde buscar trabalho… O que fazer diante de tantas alternativas… Estes dilemas são muito mais comuns do que qualquer um pode imaginar. Na verdade, as diferentes opções com as quais temos de interagir ao longo da vida nos obrigam – ainda que minimamente – a exercitar a reflexão e fazer escolhas, algumas certas, outras erradas, mas que nos pareciam certas. Assim, vamos construindo a nossa história.

Todos nós somos o resultado de decisões acertadas e equivocadas. Ninguém acerta todo tempo. Por mais coerente e sensato que seja, de vez em quando se encontra a contabilizar prejuízos, alguns recuperáveis e outros não. Assim, vamos aprendendo a decidir e escolher. Mas, será que existe um jeito mais eficiente de construir a vida do que através deste método de tentativas? Acredito que sim.

A vida moderna e como ela está configurada não privilegia a sabedoria. Agendas apertadas, tempo desperdiçado com o entretenimento televisivo e sites de relacionamento (que não geram relacionamento algum), habilidade mental treinada por uma cultura erotizada e a falta de coragem de admitir que existe vida fora desses territórios, não conspiram a favor de decisões coerentes e escolhas bem pensadas. Na verdade, o que tem poder de alienar tem poder de cegar.

Muitas vezes, em busca de direção para minha vida, tive que buscar o silêncio e a reclusão, fechar a agenda, desmarcar compromissos, reconfigurar hábitos… E isto exige um grande esforço! Acredito que as melhores decisões que tomamos na vida nascem nesse ambiente onde a paz prevalece, a interferência das vozes populares é mínima e a mente é estimulada a concentrar-se nos estatutos eternos. Mas, quem se propõe a fechar a porta do quarto para audiências secretas com o Eterno?

Estou convencido de que se trata de uma temeridade confiar nossos dias ao acaso. Mas, também estou convencido de que a voz da cultura popular (“deixa a vida me levar”) prevalece, convencendo as pessoas a desistirem de pensar a vida e de submeterem-na a Deus. Todavia, há sempre um coração faminto em busca de orientação, corajoso o suficiente para não se deixar conduzir pela correnteza; há sempre uma alma sedenta e disposta a ouvir; há sempre alguém disposto a buscar seriamente a Deus e a acreditar que Ele continua dirigindo vidas.

Se você está em busca de direção, não sabe para onde ir, o que fazer, acredite: Deus conhece suas limitações e quer ajudá-lo.

Solus Christus!

Pr. Weber





PORNOGRAFIA – Uma invasão maligna

28 10 2009

dp1821201A pornografia é bem mais antiga do que podemos supor. Existem registros históricos que reportam a era paleolítica. Arqueólogos descobriram em escavações da antiga cidade de Pompéia na Itália, gravuras que não somente endossam a existência de uma organizada rede de prostituição, quanto a existência de bordéis bem sinalizados. Historiadores afirmam que antes dos jogos de morte que aconteciam nas arenas romanas, os gladiadores passavam a noite em orgias sexuais com prostitutas profissionais.

Como podem ver após esta breve e curta exposição história, estamos lidando com um problema que acompanha a humanidade desde sempre. Hoje, com o desenvolvimento das redes de comunicação o assunto ganhou proporções gigantescas, transformando-se numa pandemia mortal. Gente de todas as idades e de todos os meios sócio-culturais estão sendo contaminados por esta invasão da maldade. A oferta de sexo está por todos os lados, e as redes de televisão não colaboram para conter esta exacerbação erótica que não tem poupado nem mesmo as crianças.

Entre as grandes vítimas estão os homens. Casados ou solteiros, declarados ou escondidos, eles são o alvo do ataque maligno. Presos aos seus computadores ou à sua TV até alta madrugada, perdem-se em visitas a sites pornográficos e conversas em salas de bate-papo em busca de uma aventura. O problema, com certeza é bem pior do que parece e a invasão mais violenta do que se supõe.

Denunciar esta tendência pecaminosa pode não adiantar muito – pois quem tem este hábito arraigado está mais enredado nas malhas do inferno do que imagina -entretanto, alertar pode ser um claro e importante sinal para quem ainda está flertando com a pornografia.

Alguns cuidados precisam ser tomados, independentemente da fé de cada um. Mas, falando diretamente aos cristãos convictos e que prezam a sua relação com Deus, é bom que não se considerem fortes o suficiente para acharem que estão livres e protegidos desta investida satânica, devendo atentar para os conselhos a seguir.

Evite ficar exposto à Internet por longas horas e participar de chats, a impessoalidade pode lhe dar a aparente sensação de que tudo que você escreve está acontecendo num ambiente de privacidade no qual pode ser você mesmo, mas isto não é verdade. Definitivamente, não fique ligado na TV até tarde; respeite o ciclo da vida, trabalhe enquanto é dia e descanse à noite. Se você participa de algum site de relacionamento (ORKUT, FACEBOOK) tome cuidado dobrado e não aceite incluir alguém sem antes avaliar o seu perfil – de preferência, não participe dessas comunidades virtuais, pois têm sido usadas como ambiente predileto de gente que trabalha com prostituição e pedofilia. Não abra e-mails de quem você não conhece. Conscientize-se de que pela porta da pornografia os demônios estão invadindo lares e corações.

Gaste mais tempo orando, meditando nas Escrituras e lendo um bom livro. Não subestime o poder maligno dessa grande serpente. Para vencê-la, a Bíblia nos ensina uma tática: RESISTÊNCIA. Resista! Solteiros ou casados, resistam! Casados, busquem investir no relacionamento conjugal e viverem a virtude da unidade matrimonial através da unidade com Cristo e de uma vida sexual sem vícios ou intromissões dessa cultura maldita e decaída.

Com amor,

Pr. Weber





Zumbismo

22 10 2009

the-zombie-survival-guideDe todas as severas advertências feitas às sete igrejas da Ásia, a que não me deixa parar de pensar; a que não me deixa descansar o coração; a que não me deixa esquecer a realidade do juízo, é a que foi pronunciada sobre Sardes: “Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto”. Sempre que a leio, ponho-me a pensar sobre a incrível habilidade humana de acobertar realidades e de como somos vulneráveis ao zumbismo (uma espécie de espiritualidade que prioriza o desempenho em detrimento da confissão, também conhecida como culto à aparência), tudo para vender a imagem da vida sob o compromisso de esconder a morte.

Esta tendência cultivada por Sardes parece ter feito escola. Não é fácil encontrarmos gente que esteja disposta a encarar o realismo de sua vida. Convivemos com um fingimento frio. Assistimos em nossas comunidades ao espetáculo trágico-cômico interminável, da defesa de uma imagem de força e poder, expressa nas afirmações de aparente fé, e nos rostos besuntados dos cosméticos produzidos pelas indústrias da hipocrisia, cuja a principal promessa é: ninguém notará quem você é de verdade.

Por trás dos rostos sorridentes; dos trajes alinhados; da imagem da perfeição; da aparente espiritualidade viva, o cheiro da morte é real. Ninguém consegue ser feliz defendendo uma imagem mentirosa. Ninguém consegue prosseguir em paz vivendo sob o peso de que a qualquer momento seu segredo será revelado. Isto não é só uma tortura, é loucura, insensatez, pecado. Vender uma imagem de vida estando morto, é pecado. A velha e tradicional brincadeira de esconde-esconde por entre as árvores do Éden. Quem pode esconder-se de Deus?

Se observar, todas as advertências pronunciadas pelo Senhor às igrejas, vieram acompanhadas da palavra CONHEÇO. É como se o Espírito estivesse a dizer: Não adianta argumentar, fugir, esconder, fingir, eu CONHEÇO. Como ganharíamos em credibilidade e na compreensão mais profunda da graça, se resolvêssemos deixar de representar força para permitirmos que todos nos vissem como realmente somos: fracos.

Mas, a questão de Sardes era mais séria! A imagem que vendiam era a da vida – diziam: “Somos cristãos vitoriosos e poderosos, vivendo sob a gloriosa unção de Deus, em perfeita santidade” – quando na verdade estavam mortos, separados de Cristo (o autor da vida). Sardes é o exemplo da pura expressão da graça de Deus, uma tentativa do Eterno em tentar nos convencer de que Ele não está nem aí para o que aparentamos ser, nem aí para os nossos cosméticos ou tentativas de impressioná-lo. Sardes é um grito divino na história por realismo, confissão, livre demonstração de fraqueza; é Deus dizendo pra nós: a fé cristã não é um show e a igreja não é um palco.

“Consolida o resto que estava para morrer”, disse o Espírito. Haveria por acaso alguém entre os meus leitores que não tem um saldo pecaminoso na vida?

“Não tenho achado íntegras as tuas obras”. Metidos neste mundo que jaz no maligno; formados nessa cultura deformada pela transgressão; atuando nessa sociedade injusta que nos força saltar sobre menores abandonados num cenário de guerra e violência, eu pergunto: todas as suas obras são íntegras?

“Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te”.

Que o Senhor nos ajude a vencer o zumbismo!





TROCANDO VÁCUO

16 10 2009

faa029000275Eu ainda sou um inexperiente no uso dessas ferramentas tecnológicas do mundo virtual. Site, blog, twitter… são terminologias que não aparecem com frequência nas minhas conversas do dia-a-dia. Ainda não aprendi a fazer todos estes recursos servirem aos propósitos de expansão do Reino de Deus, pelo menos dentro dos limites fronteiriços de minha operação. Mas, estou tentando tornar o blog mais atraente, o site mais fácil de ser explorado e encontrar no twitter uma maneira de comunicar para um maior número de pessoas a mensagem do Evangelho.

Minha verdadeira paixão é comunicar a mensagem de Cristo e compartilhar com as pessoas o que Ele tem depositado na minha vida ao longo desses vinte e dois anos de operação pastoral. Na minha santa ingenuidade cristã, cheguei a pensar que os cristãos que acessam a web, acessam em busca de alimento para a alma, mas quebrei a cara. A maioria prefere navegar em sites de relacionamento e “trocar vácuo”. Essa é uma expressão nova pra você? Deve ser, pois acabei de criá-la. “Trocar vácuo” é o mesmo que “trocar abobrinha”, jogar conversa fora, interessar-se por futilidades e gastar o tempo investindo em coisa alguma. Descobri que anda por aí uma espécie de indolência mental evangélica. Gente crente, membro de igreja, que prefere continuar a prosseguir na vida sem pensar, sem refletir, trocando vácuo, enchendo o vazio de outros com o seu próprio vazio.

Minha gente, Cristo nos de uma missão insubstituível e intransferível: Pregar o Evangelho! Prepare-se para desincumbir bem a missão de comunicar Jesus a esta geração. Estude mais a Bíblia! Participe mais dos cultos de oração da sua igreja. Invista na construção de uma espiritualidade sadia, que privilegie o pensar e a busca de um Cristianismo mais profundo e substancial. Nessa mesma direção, ame a Deus com mais paixão e pare de trocar vácuo.





CRIANÇA

12 10 2009

pobre famintoHoje, 12 de Outubro, comemoramos no Brasil o dia da criança. Uma importante data no calendário comercial do país. Lojas de brinquedos e de departamentos são as mais procuradas. Ih… é uma correria só! Os atendentes experimentam um misto de alegria pelas vendas e stress adicional pelo barulho e correria dos miuditos pelos corredores, entre gôndolas abarrotadas dos mais diferentes sonhos de consumo infantil. Os pais, bem, eles acabam por gastar um pouco mais a fim de compensar a falta de tempo que a configuração da vida moderna impõe. Que bom se fosse só isso!

Se todo desafio que as crianças representam pudesse ser enfrentado com uma bola colorida ou um desses bonecos idealizados a partir dos desenhos animados, seria fácil, fácil demais. Mas, o suprimento das necessidades de um ser humano nos primeiros passos da sua existência, certamente que não passa pelos corredores coloridos de uma loja de brinquedos. E isso me angustia. Me angustia ver crianças famintas disputando com adultos por migalhas; me angustia ouvir dos lábios de pequeninos que mal conseguem juntar as primeiras palavras, que desejam água encanada e uma habitação digna para eles e suas famílias; me angustia ver o despreparo dos pais para educar, ensinar, conviver, brincar, e infelizmente até amar aquela criaturinha de olhos brilhantes, desprotegida e que até sem falar comunica seu pedido de socorro.

Convivo com muitos pais. Minha função pastoral me obriga a lidar com os frutos do seu despreparo. Tensões conjugais, ansiedade pelo consumo, sonhos profissionais não alcançados, um passado sem despertamento e estímulo para estudar, baixos salários, subempregos e desemprego. Todos esses fatores, juntos ou separados, constroem o cenário em que vivem as crianças que conheço. Como pastor, a mim foi confiada a missão de contribuir com a educação dessas criaturinhas. Meu Deus, que angústia!

O desafio de alcançar uma criança com a mensagem do Evangelho e tentar faze-la apaixonar-se por Deus e Sua Palavra numa fase da história em que os homens privilegiam o divertimento e o consumo, por si mesma já seria uma tarefa muito maior do que qualquer um de nós poderia supor. Mas, adicione a isto um outro fato relevante e que não pode ser esquecido, a família – sua história, hábitos e total desajuste – e você terá a dimensão exata da angústia do meu coração.

Este é um tempo em que até professores estão desistindo de ensinar, um tempo em que crianças vão para a escola armadas, que a violência desenrola dentro e fora de sala de aula; um tempo em que a poesia da infância se perde pelos sinais da cidade, pelas ruas dos bairros de classe média; um tempo em que estamos aprendendo a temer aqueles que carecem da nossa atenção.

Meu Deus, o que será das crianças? Quem aí do outro lado ouvirá o seu clamor?

A todos os pais, professores, educadores e cristãos anônimos, insisto que não desistam de apontar o caminho a uma criança, de ousar em ajuda-la a discernir entre o certo e o errado, e a ensinar. Todo o tempo, ensine, pois o ensino resgata a dignidade e ilumina a estrada escura da experiência.

Pr. Weber





Você se sente cansado?

8 10 2009

060041775A frase que mais tenho ouvido ultimamente não tem nenhum conteúdo poético, na verdade é uma afirmação carregada de um realismo tocante. Idosos, adultos de meia idade ou recém entrados nos anos iniciais da vida adulta, jovens, adolescentes e até crianças, afirmam constantemente: Estou cansado(a).

Esta reclamação em coro de considerável parcela de representantes das mais diferentes faixas etárias me tem preocupado bastante. Não poucas vezes encontro-me declarando repetidamente que também me sinto cansado. A maneira que a vida moderna está configurada, vem privilegiando demasiadamente a velocidade e isto não está produzindo um efeito lucrativo para as pessoas. Os prejuízos são enormes! Cansados, não produzimos, não criamos, não planejamos com sabedoria e realizamos nossas tarefas mais pela força da obrigação do que do prazer.

O maior perigo é quando o cansaço migra da nossa musculatura para a nossa alma. É quando nos cansamos dos outros, do que fazemos, das nossas rotinas, de quem somos… Geralmente, este cansaço não se cura entre os lençóis, com complementos energéticos e suplementos alimentares. Ele adere às paredes interiores do ser – às que não ficam a mostra nos raios X, nas ressonâncias magnéticas, nas tomografias e exames de ultrassom – num plano da existência que escapa dos procedimentos laboratoriais. Esse cansaço só se cura por ação do que pode ultrapassar os limites físicos do ser.

Tenho tido a oportunidade de encontrar tanta gente assim ultimamente! Gente desestimulada, encavernada, escondida entre os recantos escuros de seus pensamentos, calada, arredia, que me parece estar sempre em fuga… Confesso que tenho orado muitas vezes pedindo para que Deus me ajude para que possa tornar claro que a Lei do Senhor é perfeita e restaura a alma. Mas, principalmente que há descanso em Cristo.

Lutei por quase dois anos com minha esposa, vítima de uma depressão gerada pelo descontrole hormonal causado pela menopausa. Sei que este não é um assunto que mereça ser simplificado e resumido a frases carregadas de uma espiritualidade fria e sem misericórdia, nascida na mente doentia de quem insiste em encontrar demônio em tudo que não entende ou não sabe explicar. Não foi fácil ver a mulher que eu amei desde a juventude, silenciosa e alheia à vida comum do lar. Mas, fui pastor dela: Amei-a mais; conversei mais; orei mais; cultivei mais sua companhia, ainda que muitas vezes silenciosa; busquei motiva-la a sorrir; pintei todos os dias novos quadros de esperança em sua mente, na tentativa de trazer mais cor ao seu mundo cinzento. Também li mais a Bíblia com ela!

Que poder tem as Escrituras! Lembro-me de muitas vezes fazer alusão ao Salmo 19 e juntos ratificarmos a nossa fé na capacidade das Escrituras restaurarem a alma. Lembro-me de orar baseado no convite de Jesus aos cansados. Lentamente, a medida que os medicamentos cumpriam o seu papel no corpo e a Verdade na alma, o cansaço foi sendo substituído por um descanso profundo. Que bom é hoje olhar nos seus olhos e enxergar brilho, poder abraça-la com um sentimento de gratidão no coração e simplesmente fazer de uma frase a mais poderosa de todas as orações: SENHOR, OBRIGADO PELO SEU DESCANSO!





AS NOSSAS CRISES DE CADA DIA

1 10 2009

pe0066437Ano passado, o mundo todo foi surpreendido por notícias sobre um “tsunami” econômico de dimensões incalculáveis e de consequências imprevisíveis. Só se falava da bolha imobiliária, falência de bancos americanos e desmoronamento de impérios financeiros, antes considerados sólidos e seguros. A palavra que mais se ouvia pelas ruas e praças desde Wall strret à Avenida Paulista era: CRISE. Babás que caminhavam pelo calçadão de copacabana, aposentados com a sua turma da sueca e do dominó, operários da construção civil, camelôs e vendedores ambulantes, médicos, engenheiros e advogados, todos, unanimemente, passavam o tempo conversando num economês popular sobre a nova CRISE. Nesse tempo, uma espécie de temor coletivo abateu-se sobre o mundo. Eu mesmo constatei que as expressões das pessoas com as quais relacionava-me estavam mais marcadas, seus músculos faciais mais retesados, o tom de voz mais grave e um medo impossível de ser escondido, dado ao fantasma do desemprego que rondava até pelos corredores de escritórios dos altos escalões do mundo corparativo. Foi um ano difícil!

Mas, você já parou para pensar que convivemos com outras crises não menos importantes? Refiro-me às crises éticas que colocam em cheque as instituições nacionais; as conjugais, que arrastam milhares de casais para as barras dos tribunais todos os anos; as morais, que enchem os motéis de pessoas em busca de sexo casual; as de segurança, que desafiam os moradores do Rio de Janeiro desde o fim da guerra do Paraguai até hoje, e que transborda no surgimento de facções criminosas de toda espécie – comando vermelho, terceiro comando, milícia, PCC. Isto para não falarmos das crises silenciosas, porém não menos agressivas, as existenciais! Meu Deus, que horror! Gente que sofre de medos imaginários, ansiedades, palpitações, pânico, depressão… Gente que não vê esperança, não consegue ver a luz mesmo em dias ensolarados; gente que parece viver nas sombras, num mundo sem cor; gente torturada pelos efeitos colaterais dos ansiolíticos, antidepressivos e drogas afins. Esta é uma crise que as autoridades nada podem fazer, que os jornais e revistas só conseguem tocar na superfície das causas e sugerir novas dietas, novas posturas e novos hábitos.

Se você está mergulhado numa crise dessas, conte com as minhas orações, simpatia, estímulo, compreensão e ainda que seja apenas no mundo virtual, com a minha amizade e cuidado pastoral, amor cristão e encorajamento.

No dia 11 de Outubro, vou me aventurar a pregar uma série de mensagens, na tentativa de construir um cenário de esperança para a minha congregação. O título será: AS NOSSAS CRISES DE CADA DIA. Quero falar a esta imensa massa de gente infeliz, que aprendeu a conceituar felicidade de maneira tão torta e irreal que acabo por me consumir de piedade. Quero reconstruir junto com meu rebanho conceitos sobre sucesso, fé, família, e sugerir o resgate de uma espiritualidade que nos permita buscar a Deus como um fim em Si mesmo. Quero poder abençoar a vida de tantos quantos se dispuserem a ouvir as reflexões de um pastor que busca diariamente as fontes das águas de descanso para as suas ovelhas.

ICNV-Vila São Luiz / Duque de Caxias – Avenida Marechal Hermes 613. Acesse o nosso site para maiores detalhes (www.icnvvila.com.br).